Fernanda Muylaert
Da Agência Brasil
Brasília - A suspeita que levou o Exército a iniciar uma investigação sobre a atuação das organizações não-governamentais (ONGs) na Amazônia "não tem base real". A avaliação é de Alexandre Cicconelo, advogado da Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais (Abong). Ele afirma não ter fundamento a tese de que ONGs são financiadas por recursos de organizações de outros países e por isso agem em defesa de interesses internacionais. "Esse é um argumento simplista, porque mesmo recebendo financiamento de agências de cooperação internacional, não necessariamente defenderemos um interesse específico", conta.
Cicconelo lembra que há três anos uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instaurada no Senado para apurar a atuação dessas organizações na Amazônia. "Esse discurso que as Forças Armadas usa não tem base em fatos reais e a CPI é prova disso, porque durante todos esses anos de investigação nada foi comprovado", diz.
Para o advogado, o governo brasileiro mostra um medo de um inimigo interno e externo que não existe: "Esse discurso das Forças Armadas até se justifica um pouco pela falta de um papel claro e definido para suas atuações no país. E com todas essas falsas teorias apresentadas, eles usam a tese de um inimigo que pode invadir a Amazônia para justificar alguma atuação da corporação na região".
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