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Protestos simbólicos marcam atuação da sociedade civil na reunião da OMC

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Por: Agência Brasil
Data de Publicação: 16 de dezembro de 2005
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Mylena Fiori

Enviada especial

Hong Kong (China) - A sociedade civil organizada marca presença na 6ª Reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio, com mobilizações diárias e atos de protesto pequenos, mas simbólicos.

Hoje (16), cerca de 30 ativistas de diferentes países foram até o Centro de Convenções de Hong Kong, onde se realizam as reuniões ministeriais, para protestar contra a inclusão da água nos acordos sobre abertura do mercado de serviços. "Água Fora da OMC" dizia a faixa de protesto. "A água não é uma mercadoria para ser negociada, é um direito a que todos devem ter acesso", justifica Maureen Santos, da Rede Brasileira de Integração dos Povos (Rebrip). "Colocando a água nos acordos, vai facilitar a privatização em nossos paises".

Segundo ela, a Noruega já declarou que não incluirá a água nos acordos de comércio. "Queremos que todos os países façam a mesma coisa", diz. Maureen lembra que a União Européia, por exemplo, já fez demandas, inclusive ao Brasil, para abertura do setor de água. "O Brasil não aceitou neste momento, mas não declarou que não aceitara no futuro e queremos uma declaração formal", destaca.

Dos mais de 5 mil municípios brasileiras, 63 já privatizaram os serviços de água. Recentemente, Manaus promoveu o processo inverso - a reestatização. "Onde a água foi privatizada, o preço subiu muito; famílias que não têm condições de pagar ficaram sem acesso e isso acabou causando problemas de saúde", conta.

Ela também alerta para o sistema pré-pago de água, em teste no estado do Tocantins. Funciona como o sistema pré-pago de celular, onde o usuário compra um cartão com direito, por exemplo, a usar mil litros de água. "É uma nova forma de privatização. Quando acaba o crédito, acaba a água. É um problema preocupante", avalia.

Maurenn conta que o sistema foi adotado em uma região de Johanesburgo, na África do Sul, onde antes eram usadas torneiras coletivas. "As torneiras foram retiradas e instalados gerenciadores nas casas, com a ilusão de que também seria criado sistema de tratamento de esgoto. Isso não foi feito e as famílias estão sem água, pois não existem mais torneiras públicas".

 

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