Alessandra Bastos
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A questão do meio ambiente urbano foi alvo de debate na 2ª Conferência Nacional, que terminou hoje (13). No caso da cidade de São Paulo, maior metrópole do país, a questão é o colapso de água: escassez e abundância.
Quando chove, a cidade não consegue fazer com que a água escoe e engarrafamentos e enchentes tomam conta das vias de tráfego. Por outro lado, a demanda de água não é suficiente para o número de habitantes. Como saída para esse problema, na década de 70, foi desviada a água do Rio Piracicaba para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo - à semelhança do que está sendo proposto na integração do Rio São Francisco, segundo afirma o representante da organização não-governamental (ONG) Sociedade do Sol, que trabalha com energia solar de baixo custo e reutilização da água, Gustavo Cherubine.
Ele avalia que a solução para esse duplo problema, escassez e abundância num mesmo município, seria oposta. Em vez de se buscar mais água cada vez que a demanda cresce, uma saída possível seria a diminuição do consumo de água. Os moradores de apartamentos, por exemplo, "não fazem nem idéia de quanto gastam de água por mês porque quem paga as contas é o condomínio".
Os problemas enfrentados pela cidade de São Paulo não são particulares e têm semelhança aos enfrentados por outras metrópoles do mundo. Por isso, Cherubine avalia que "não são iniciativas locais que vão resolver as questões de meio ambiente no universo urbano".
Ele ressalta que é preciso lembrar que as cidades fazem parte de um todo, "são parte do meio ambiente, não estão isoladas". Por exemplo, ele conta que o plantio de soja no Piauí traz "problemas como a violência e prostituição infantil porque a comunidade é obrigada a mudar o seu modo de vida". E, como ele alerta, a soja produzida no Piauí é também consumida em São Paulo.
"Tudo é uma cadeia. A questão da água está interligada com a questão do lixo, que se interliga com a questão do solo", diz ele.
Cherubine aponta que a educação ambiental deve ser pauta das políticas públicas dos demais setores. "A participação hoje não ocorre na formulação das políticas de educação ou saúde. É necessário se enxergar não apenas como um habitante da cidade, mas como algo que está dentro do ecossistema. É preciso que haja essa visão no momento de se formular propostas. Se não, é política específica de governo daquele gestor em uma determinada ocasião", opina.
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