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Acesso precário é um dos maiores problemas de comunidades quilombolas em Goiás

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Por: Agência Brasil
Data de Publicação: 11 de dezembro de 2005
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Alessandra Bastos

Enviada especial

Cavalcante - Passava do meio dia quando o sol apareceu, secando a água da chuva que caiu durante toda a madrugada e a manhã, interditando a estrada que liga o município de Cavalcante, em Goiás, à comunidade quilombola de Maiadinha.

Um dos carros da comitiva que acompanhava a ministra da Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, atolou, impossibilitando a visita ao local, onde seriam inauguradas 46 casas. As moradias fazem parte do Pacote da Cidadania, uma ação interministerial coordenada pela Seppir para assegurar o desenvolvimento socioeconômico em núcleos remanescentes de quilombos e monitorar as medidas do governo federal direcionadas às comunidades de todo o país. As casas foram construídas pelo Ministério das Cidades, que investiu cerca de R$ 4 milhões.

Por causa do incidente, Matilde e os técnicos que a acompanhavam puderam chegar apenas a Engenho II, outro núcleo quilombola, distante 22 quilômetros do centro de Cavalcante. Maiadinha e Engenho II formam, junto com Vão de Almas, Forno Choco e Vão da Prata a Comunidade Kalunga, onde vivem cerca de 1.200 famílias, distribuídas em três municípios: Cavalcante, Monte Alegre e Teresina.

O acesso precário a essas comunidades é um dos maiores problemas enfrentados pelos moradores. "As estradas não são boas e com chuva ficam intransitáveis. Em alguns lugares, nem existem. O acesso tem que ser feito a cavalo, a pé ou canoa", conta a secretária de Educação de Cavalcante, Lucilene Alvarenga. Nos períodos chuvosos, acrescenta, as não conseguem ir às escolas, chegando a perder até um mês de aula.

Esta semana, como parte das medidas que compõem o Pacote da Cidadania, foram inauguradas, em Maiadinha, uma ponte e uma escola, ambas são resultado de convênios firmados com a Petrobras, que investiu R$ 660 mil nas obras.

A ação também incluiu a entrega de 220 unidades sanitárias construídas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em residências da comunidade de Engenho II. De acordo com o coordenador local dos projetos, Aiporê de Moraes, o investimento da Funasa foi de R$ 2,8 milhões.

Desde março de 2003, quando começou a ser implementado, o Pacote da Cidadania foi lançado em oito estados: Pernambuco, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Amapá, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás.

 

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