Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio - A queda de 1,2% do Produto Interno Bruto (soma de todas as riquezas produzidas no país) no terceiro trimestre deste ano foi um "movimento fora da curva" de crescimento sustentado brasileiro. Essa é a avaliação do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sobre os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ele, "os dados seguintes ao período indicam isso de forma bastante clara".
A retração econômica, acrescentou, é reflexo da política monetária austera adotada pelo governo com o objetivo de conter a inflação. "O que nós temos que decidir é se vamos continuar esse esforço de tirar a inflação da nossa frente de forma definitiva, ou não". O ministro disse achar que "esse quadro de combate à inflação começa a ser definitivo e que a sociedade brasileira não aceita que seja revertido".
Segundo números citados por Palocci, o Banco Central conseguiu reduzir a inflação de cerca de 8% no final do ano passado para cerca de 5% ao ano em 2005. "Às vezes é necessário pagar o custo de uma política monetária rígida para que nós possamos olhar e garantir crescimento no longo prazo, para que nós pensemos além do dia de amanhã, os anos que vêm pela frente e a estabilidade que nós queremos por muitos anos".
O ministro disse também que considera legítimo o debate sobre o nível de ortodoxia e a extensão do ajuste fiscal. Admitiu, inclusive, que se as doses forem inadequadas, elas podem ser ajustadas com o tempo. No entanto, descartou qualquer possibilidade de debater alterações nos mecanismos de controle da inflação. Na avaliação do ministro, essa é uma questão perigosa para o futuro do país.
Na opinião de Palocci, o debate só não deve avançar para soluções baseadas em políticas já experimentadas no país e que não deram certo. "É um filme a que nós já assistimos, como personagens", opinou. "Para esses, eu sempre indico: vamos reler nossa história, não vamos cometer os mesmos erros. O desafio nosso é, se cometermos erros, que os façamos novos, e não os velhos", afirmou.
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